Inteligência emocional

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*Dolane Patricia **Aline Sanz

A Inteligência Emocional (I.E) é um tema de grande relevância diante da atual crise global desencadeada pelo Corona-vírus.


De acordo com Associação Brasileira de Inteligência Emocional (www.sbie.com.br) o conceito de I.E foi definido academicamente pela primeira vez em 1990, pelos psicólogos e pesquisadores estadunidenses Peter Salovey e John D. Mayer, que a partir do artigo Emotional Intelligence, publicado na revista Imagination, Cognition and Personality, definiram Inteligência Emocional como sendo "(…) a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros."


O site ainda destaca que o psicólogo, escritor e Ph.D. de Harvard, Daniel Goleman, considerado o pai da Inteligência Emocional, foi responsável por popularizar o conceito com o livro Inteligência Emocional, publicado em 1995, aduzindo ainda que:
"A partir de uma visão mais recente e atualizada, a Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, define essa competência como um somatório de habilidades que tornam as pessoas capazes de administrar os obstáculos que a vida moderna impõe, de modo a aceitar e perceber as emoções e direcioná-las para obter melhores resultados em diferentes esferas da vida." 


Segundo Daniel Goleman, inteligência emocional é a capacidade de identificar e desenvolver competências emocionais pessoais e competências emocionais sociais, isto consiste, em ter habilidade de nos conectarmos com nós mesmos, de forma a lidar da melhor maneira possível com nossas emoções e sentimentos, e a habilidade de lidar com as emoções dos outros, para termos maior conexão e melhores relacionamentos. 


Para ter mais I.E é necessário desenvolver o autoconhecimento, identificar quais as emoções mais frequentes, compreender o que estão propondo, como elas se expressam e como afetam o comportamento, atitudes e ações. A inteligência emocional pode ser desenvolvida, treinada e aprimorada com a construção de novos hábitos, pensamentos e comportamentos. 


Um dos primeiros passos para obter inteligência emocional é conhecer as emoções, o que são e o que promovem. A emoção nasce de estímulos externos e cognitivos, do significado que se atribui a uma experiência, que promove alterações neurobiológicas. Diante de um estímulo, o organismo reage e se prepara para uma resposta, e esse impulso é a emoção. 


De acordo com o médico psiquiatra Eric Bern, o ser humano apresenta cinco emoções básicas: a raiva, a tristeza, o medo, a alegria e o afeto. Entender cada uma delas é fundamental para desenvolver inteligência emocional. 


Em tempos de pandemia, muitas pessoas estão com medo, sentimento que retrata a tomada de consciência de um possível estado de perigo e representa o sinal de alerta de que é necessário se proteger. 


Algumas pessoas estão sentindo tristeza, que é a percepção de uma perda ou decepção. Tal sentimento promove a necessidade de retraimento, que cria um momento de reflexão indispensável à aceitação da frustação. 


Outros, porém, estão expressando raiva, que se manifesta em situações de ameaça à vida e atua como uma defesa espontânea diante dos obstáculos, que quando mal canalizada promove violência e agressividade, mas, quando bem direcionada, promove a ação necessária para a solução dos problemas. 


É verdade também que o período de quarentena nos proporcionou mais tempo para sentirmos e expressarmos afeto, a fim de aprimorarmos as relações familiares, amorosas e fraternas. A emoção do afeto engrandece a alma e promove carinho e amor. 


Por fim, temos a alegria, que envolve o prazer de compartilhar momentos de bem-estar com as pessoas. É o sentimento de ganho, de conquista. Aos que olham esse momento por uma perspectiva positiva, certamente devem estar alegres com o tempo de sobra para investir na família, em novos projetos, na criatividade, enfim, se reinventar para obter novos e melhores resultados.

 
Sentir essas emoções é natural, contudo, o excesso ou a escassez delas é sinal de que algo precisa ser trabalhado internamente. Vivenciar sentimentos desconfortáveis frequentemente e com alta intensidade pode desencadear doenças físicas e emocionais, bem como conflitos de relacionamentos.


Sendo assim, é de fundamental importância refletirmos sobre a capacidade de entender as emoções e como elas estão afetando nossa qualidade de vida e bem-estar, afinal, a inteligência emocional, como aptidão mestra, tem o poder de influenciar todas as outras, facilitando ou dificultando nosso desempenho em todas as áreas da vida. Quando conhecemos e controlamos nossas emoções, podemos transformar experiências dolorosas em aprendizados e oportunidades.


De certa forma, cada indivíduo vive aquilo que realmente tolera, ou do qual não consegue se livrar. Assim, para modificar uma situação insatisfatória é preciso que ocorra uma mudança. Porém, para que isso aconteça, é necessário tomar decisões.
No entanto, nem toda decisão é fácil de ser tomada, principalmente a decisão de mudar, pois, essa conduta pode significar a saída de uma zona de conforto. Mas, em tempos de crise repentina como devemos agir? Como reagir a uma mudança drástica na vida financeira ou emocional diante de uma pandemia sem precedentes? 


No atual momento em que a humanidade passa por uma crise social e econômica sem precedência, gerenciar as emoções para não sofrer demasiadamente com as adversidades, obstáculos e desafios, se torna uma necessidade ainda maior para todos nós. Agir com I.E é indispensável para atravessarmos esse momento de crise com mais saúde emocional e física.


Essa capacidade se torna indispensável, pois a inteligência emocional dá o suporte necessário para passarmos por esse momento sem maiores danos e consequências, pois a partir dela, desenvolvemos mais autoconsciência, autocontrole, autoestima, autoconfiança, motivação, iniciativa, foco, empatia, capacidade de liderança, comunicação mais efetiva, melhor tomada de decisão e nos tornamos mais hábeis na solução de conflitos. 


É nesse sentido que inteligência emocional promove a infraestrutura necessária para que possamos ser capazes de enfrentarmos a mudança e superarmos a crise, pois ao reconhecermos nossas emoções, podemos controlar comportamentos, humor e estado de espírito diante das diversas experiências da vida. Com isso, conquistamos a capacidade de nos motivarmos, mesmo em meio as adversidades. 


Um artigo publicado por Lisandra Thomé no site lisandrathome.jusbrasil.com.br, traz uma importante análise sobre a inteligência emocional. A autora destaca, a habilidade de se conectar com pessoas novas, a capacidade de ser flexível e resiliente diante das adversidades e situações imprevistas, além da facilidade em saber lidar com outras pessoas e opiniões. 


Salienta também em seu artigo, que o caminho para se atingir a maturidade emocional e traz uma reflexão de Mahatma Gandhi, ao tentar definir a palavra felicidade:
"Felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz, estão em harmonia". 


Por fim, na prática, inteligência emocional acontece quando razão e coração estão em harmonia. Mas, é na frase de um autor desconhecido que talvez esteja a maior das definições: 


"Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir." 



**Aline Sanz é Master Coach, Administradora, MBA em Gestão de Pessoas e escritora. Instagram: @aline_sanz; E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.; WhatsApp: (95) 98114-1811.

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