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Quarta, 10 Julho 2019 03:14

Construindo vida no Extremo Norte.

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Dolane Patrícia

“Cidade do campo, beira-rio, estrela do norte do Brasil, cidade do campo, entardecer Boa Vista linda de se ver. Correm rios de tempo, Águas de Pacaraima, Montes em movimentos, Coração de Roraima.” é o que diz a lindíssima letra do Poeta Eliakin Rufino.

Apesar de ter nascido na Bahia, sou apaixonada por Roraima, chequei em 1993 e me lembro como se fosse ontem, do dia em que estava dentro do avião prestes a pousar em Boa Vista. “No verde do campo vi você”... Era noite, mas dava para avistar a “Cidade do campo beira rio”.

Lembro-me também de quando percorri pela primeira vez a Avenida Ene Garcez, na época, em uma Belina Dourada. Aquelas luzes, aquela Avenida linda. Foi amor à primeira vista. 

“Buriti do campo, que prazer! Igarapé, tão bom te conhecer”. Foi uma noite em que meus pensamentos realmente voaram sobre o Monte Roraima. 

Enquanto o carro percorria as estradas de Boa Vista, cada detalhe me chamava a atenção. Estava no Extremo Norte do Brasil, conheci pessoas de todos os lugares do País, nunca vi tamanha miscigenação.

Quando meu filho Arthur, na época com 4 anos, se formou no SESC, não pude conter as lágrimas ao ouvi-lo cantar a música Roraimeira, também de Eliakin Rufino: “Cai o sol na terra de Macunaíma, Boa Vista no céu, lua cheia de mel, sobe a serra de Pacaraima, eu sou de Roraima surubim, tucunaré, piramutaba sou Pedra Pintada, buriti, bacaba Caracaranã, farinha d'água, tucumã curumim te espera cunhantã um boto cantando no rio beijo de caboco no cio parixara na roda de abril, se abriu linha fina no meu jandiá carne seca, xibé, aluájiquitaia, caxiri, taperebá.” Até hoje esses momentos passeiam por minha mente como se fosse um filme!

Boa Vista é sem dúvida uma cidade que deixa marcas. Muito interessante a sua história, começando pelo fato de ser uma cidade projetada, baseada nas ruas de Paris.

A História de Boa Vista é muito bem relatada por grandes nomes, como Aimberê Freitas e em diversos sites, numa soma de escritos diversos, onde destaca que “no século XIX, quando inúmeras fazendas estabeleceram-se ao longo dos rios que compõem a bacia do Rio Branco, teve início a formação de um pequeno povoado que se chamou Freguesia de Nossa Senhora do Carmo. O lugar teria o nome mudado mais tarde para Boa Vista do Rio Branco. Na década de 1930, uma fazenda do Império – que deu origem a um pequeno núcleo populacional formado nas terras ao redor – passou a chamar-se Boa Vista e deu nome definitivo ao lugar. Com a criação do Território Federal de Roraima, em 1940, a cidade foi escolhida para ser a Capital.” 

Às margens do Rio Branco, Boa Vista imortalizou parte da história da cidade. É a única capital brasileira localizada totalmente ao norte da linha do Equador, ou seja, o calor incomoda “um pouco”. No entanto, não impede que seus moradores contemplem as belezas de suas arquiteturas e também as belezas naturais que a cidade nos proporciona.

Mas as rosas, por mais belas que sejam, têm seus espinhos. O desemprego ainda é muito preocupante, o município não possui indústrias. A grande verdade é que Boa Vista passa por um momento difícil financeiramente, a maioria da população é composta por funcionários públicos, e quem nunca ouviu aquela frase: “espera para o pagamento do Governo ou Município?” 

Ademais, a saúde tem se mostrado frágil e com pouca estrutura, a violência tem aumentado muito e o custo de vida cada vez mais alto, assusta! Muitas pessoas acabam voltando para sua terra Natal em busca de uma vida melhor. Enquanto cada dia chegam mais venezuelanos em busca de uma oportunidade, os boa vistenses já não tinham muitas, ficaram numa situação muito difícil, sendo inclusive ignorados pelas autoridades que fingem que o problema não existe. Os venezuelanos chegam em busca de sobrevivência, precisam ser respeitados, mas a sobrevivência dos roraimenses também não pode ser ignorada, como tem acontecido constantemente.

Outro ponto muito preocupante é o aumento do número de veículos que trafegam pela cidade, acidentes acontecem todos os dias, o que é lamentável! O número de acidentes fatais é alarmante.

Mas alguns fatos persistem na memória. Lembro-me do dia que fui à inauguração da Praça das Águas, pela primeira vez. Aquelas luzes coloridas com aquelas fontes luminosas, as famílias com seus filhos andando de patins, era um espetáculo dantesco, que ainda se vê nos dias de hoje, com a vantagem do wi fi grátis. 

Ainda tem outros pontos positivos (melhor focar neles), lugares bonitos para o lazer com a família, uma vista linda e um luar incrível.

Posso afirmar que as grandes avenidas ainda me lembram o dia em que pisei na cidade pela primeira vez e cada momento que dirijo pelas ruas da capital de Roraima me faz lembrar a letra do hino de Boa Vista:

“São manhãs de luz, são novas crianças, o sol traz ao campo verdes esperanças para o povo índio, os negros e brancos que semeiam vida pelos verdes campos.”

*Advogada, Juíza Arbitral, Personalidade da Amazônia e Personalidade Brasileira. Mestre em Desenvolvimento Regional da Amazônia. Pós Graduada em Direito Processual Civil, Facebook: Dra Dolane Patrícia. Twitter: @DolanePatricia_ You Tube: DOLANE PATRICIA RR. Whats 99111-3740

Lido 63 vezes Última modificação em Sexta, 16 Agosto 2019 03:50
Dra Dolane Patricia

*Advogada, juíza arbitral, Personalidade da Amazônia e

Personalidade Brasileira. Pós-Graduada em Direito Processual Civil, Pós

Graduanda em Direito de Família, Mestranda em Desenvolvimento Regional da

Amazônia.

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