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Sexta, 07 Abril 2017 09:55

OPERAÇÃO CARNE FRACA REALIDADE OU SENSACIONALISMO?

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A Operação Carne foi deflagrada no dia 17 de março e revelou um esquema de corrupção nas superintendências regionais do Ministério da Agricultura. A Polícia Federal afirma ter descoberto um esquema criminoso, em especial no Paraná, Minas Gerais e Goiás.

A investigação também revelou um esquema de propinas e presentes dados pelos frigoríficos a fiscais do Ministério da Agricultura, que supostamente recebiam para afrouxar a fiscalização e liberar a comercialização de carne vencida e adulterada.

Foi um dos maiores esquemas de corrupção na produção de alimentos na história do País, com uma repercussão de proporções internacionais.

Segundo a BBC Brasil, "A divulgação da operação foi muito sensacionalista. "A polícia agiu mal com a maneira como divulgaram tudo. Acho que houve um certo exagero, para precipitar a loucura que foi na imprensa ontem", disse à BBC Brasil o médico veterinário e especialista em carnes Pedro Eduardo de Felício, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp.

No entanto, o Estadão traz informações importantes, ao noticiar que “Uma ex-funcionária do frigorífico Peccin registrou, em cartório, gravações de conversas que teve com um superior a respeito de como funcionários da empresa eram instruídos a adulterar carnes. Trata-se da médica veterinária de nome Vanessa e outras duas colegas que foram ouvidas pela Polícia Federal, em Curitiba.

Ainda segundo a BBC, após ser demitida a médica veterinária registrou em cartório o teor das gravações que revelavam com detalhes, pelos próprios funcionários, como funcionava todo o esquema.

O delegado Grillo explicou os problemas encontrados na carne das empresas investigadas pela operação - que iam desde mudar a data de vencimento e a embalagem de carnes estragadas, que eram usadas como matéria-prima para embutidos, até injetar água em frangos para alterar seu peso e mascarar a deterioração de carnes com o uso de ácido ascórbico.

O ácido ascórbico  seria capaz de devolver a boa aparência a qualquer peça de presunto de idade avançada. Já a carne mecanicamente separada – CMS preenche calabresas ao redor do mundo e, segundo consta nas investigações, passou a levar, ossos moídos junto com o resto da carcaça.

O delegado afirmou inclusive, que:  "Eles usam ácido ascórbico e outras substâncias na carne pra maquiar essa imagem ruim que ficaria se ela fosse expostas dessa forma. Inclusive cancerígenas. Então se usa esses produtos multiplicados 5, 6 vezes pela quantia permitida pela lei para que não dê cheiro, e o aspecto de cor fique bom também".

Outra  descoberta foi que, no Paraná, alunos da rede pública estadual consumiram salsicha de peru sem carne de peru - preenchida com proteína de soja, fécula de mandioca e carne de frango, o que deu início à investigação da polícia federal. Foram dois anos de investigação.

Se não bastasse tudo isso,  fiscais teriam descoberto também, que frangos da empresa BRF, a maior exportadora de frango do mundo, teriam absorção de água superior ao índice permitido. Ocorre que,  Injetar água no frango pode ser considerada uma fraude econômica, já que ocorre adulteração no peso do produto.

Mas, houve também o uso de cabeça de porco. O uso da carne de cabeça de porco ou de boi em linguiças é discutido em uma das ligações interceptadas entre os sócios do frigorífico Peccin e é proibido no Brasil. "Usavam cabeça de porco, animal morto, tudo para fazer esse tipo de produtos, principalmente esses derivados, salsicha, linguiça, e outros produtos", afirmou o delegado Grillo.

"Segundo o Estadão, os investigadores da Carne Fraca descobriram que a organização criminosa lançava mão do prosaico papelão para ‘robustecer’ salsichas e congêneres. Tiras do material eram esmagadas e adicionadas ao produto que chegava à praça prontinho para o consumo".

Dessa forma, é importante destacar a importância do papel da Polícia Federal, que levou ao conhecimento da população o que estava sendo servido como alimento na mesa do cidadão brasileiro.

Contudo, parte da imprensa começou a questionar a postura da Polícia Federal em divulgar o esquema. Talvez preferissem continuar comendo produtos de má qualidade e de origem duvidosa, seria então mais importante não afetar a economia brasileira?  

Pelo que parece não houve prejuízos em termos de exportação em razão da divulgação da operação, uma vez que foi noticiado pelo site globo.com, que a exportação subiu 9% no mês de março.

Assim sendo, não foi a Polícia federal que fez alarde pelo mundo. A questão é que o esquema de corrupção foi absurdo demais e chamou a atenção de outros países.

Ocorreu quase uma inversão de valores, onde a Polícia Federal passou a ser criticada por divulgar uma operação de tamanha relevância para o consumidor brasileiro, sendo quase tão criticada, quanto os que praticaram a conduta delituosa na produção de alimentos. Sim, alimentos!

Nesse sentido, a inversão de valores assusta! Não se trata de sensacionalismo, mas de levar a público as condutas delituosas que ocorrem às escondidas, mostrando o que existe por trás das cortinas. É uma questão de democracia!

Mas como falar em democracia, onde impera a corrupção,  a mentira e a hipocrisia?

 

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Dra Dolane Patricia

*Advogada, juíza arbitral, Personalidade da Amazônia e

Personalidade Brasileira. Pós-Graduada em Direito Processual Civil, Pós

Graduanda em Direito de Família, Mestranda em Desenvolvimento Regional da

Amazônia.

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