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Terça, 14 Março 2017 19:34

A prostituição em Roraima

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A prostituição é uma das profissões mais antigas do mundo, sua prática ainda é vista como algo ilícito, mas não chega a ser considerada crime, pelo Código Penal Brasileiro.

Dessa forma, para fugir da crise financeira que assola a Venezuela, várias mulheres de todos os níveis de escolaridade e  qualificação profissional vieram para o Brasil, mais especificamente para Roraima. Dezenas de garotas se aglomeram no mercado do sexo, por entender ser uma forma fácil e rápida de ganhar dinheiro sem muito esforço.

Em Boa Vista, capital de Roraima, a zona oeste passou a ter um número  muito grande de mulheres que se reúnem como uma espécie de exposição, pelas ruas,  casas se show, etc, cobrando cerca de  R$ 50,00 por programa. Esse serviço, já chegou a custar o dobro do preço, no entanto a grande oferta, fez com que os preços diminuíssem. Contudo, o que impressiona, é que o número de prostitutas tem aumentado de forma colossal. Essa prática,  tem tirado o sossego de algumas  famílias que residem  nas proximidades da Feira do Passarão.

A Folha de Boa Vista já havia  entrevistado uma venezuelana: “A garota confirmou que a péssima condição financeira em seu país a fez procurar novos mercados. A jovem contou que, em Santa Elena, primeira cidade na fronteira do Brasil com a Venezuela, ao Norte, o preço do programa bem pago não sai nem a 500 bolívares, o que equivale a menos de R$ 3,00.”

O mesmo jornal noticia ainda que a jovem disse que fatura, em média, R$ 1.400,00 por semana, cobrando R$ 50,00 pelo programa completo. A garota atende uma média de quatro clientes por dia. Muitas outras mulheres, na mesma dificuldade financeira, optam por estudar e ter um trabalho reconhecido pela sociedade, como diarista e cozinheira, dentre outros.

A tradicional Feira do Passarão, localizado no bairro Caimbé, foi tema de reportagem do SBT Brasil, A matéria destacou o local como ponto de prostituição de jovens venezuelanas, que a luz do dia busca pela clientela do sexo. Uma filmagem mostrou o movimento nas esquinas e bares.

Por diversas vezes, a Folha de Boa Vista  já informou sobre a situação, sobretudo, ouvindo famílias que moram próximas ao ponto de prostituição, que constantemente reclamam da criminalidade que vem aumentando.
A delegada  Denisse Dias, explicou que em um dos casos investigados, a maioria das mulheres veio a Roraima por conta própria. "A maioria das pessoas que mexe com esse esquema de exploração sexual divulga a propaganda e volta para o Brasil. As mulheres, pelos seus meios próprios, inclusive financeiros, vem procurar esses ambientes", disse a delegada. Denisse afirmou que dessa forma os criminosos tentam desconfigurar o crime de aliciamento.

Ademais,  as mulheres   já chegaram a informar a  polícia, que o programa custa em torno de R$ 100 por meia hora. Desse valor, R$ 20 são pagos ao proprietário do estabelecimento. Cada mulher faz em torno de 4 a 5 programas por dia, entretanto, muitas dessas garotas de programa, já chegaram a fazer programa em troca de comida.

Dessa forma, várias situações preocupam, no que diz respeito a prostituição em Roraima: As famílias que muitas vezes são desfeitas em razão dessa prática, pois, muitos maridos arriscam seu casamento para se encontrar com mulheres de programa. Outros pontos igualmente relevantes, são o tráfico de mulheres e o envolvimento de adolescentes.  Em julho de 2015, a operação da Polícia Federal contra o tráfico internacional de mulheres encontrou 16 venezuelanas trabalhando em casas de prostituição em Boa Vista.

O serviço atualmente tem crescido, em razão da procura,  a investida aos homens ocorre a luz do dia e para desespero das mães, filhos e demais familiares, além de outras consequências, existe o perigo de contágio de doença sexualmente transmissíveis, um risco para os homens  que procuram esse tipo de serviço.

Destarte, alguns  buscam na prostituição, o sexo sem compromisso. Com a prostituta, o homem se sente livre para fazer o que deseja no sexo, do jeito e da forma que quiser e quando tiver vontade. O pagamento em dinheiro o livra de qualquer outro tipo de dívida. Não precisa se preocupar com o que a mulher deseja, se está agradando ou correspondendo as suas expectativas. Não há nenhuma cobrança. Se ela tem ou não orgasmo não é problema dele. Não precisa fingir que está apaixonado ou que vai procurá-la novamente, nem precisa pensar numa desculpa quando ela lhe telefonar.  (LINS, 2007: 257).

Tal citação chega a ser dolorosa, quando vemos uma prática tão constante num Estado com tantas oportunidades para o trabalho. Mas importa refletir, sobre o papel do homem que busca esses serviços para se livrar de um compromisso. Em um mundo machista, geralmente saem ilesos, como se fossem vítimas, recaindo a fama apenas nas prostitutas.

Segundo o site www.dw.com/pt-br, o governo de Roraima estima que 30 mil venezuelanos tenham cruzado a fronteira e se estabelecido no estado desde 2015. De acordo com o coordenador do Gabinete Integrado de Gestão Migratória de Roraima, Edvaldo Amaral, a prostituição aumentou no estado. "A gente estima que haja de 20 a 30 pontos de prostituição de venezuelanas em Roraima", diz.

                A prostituição configura a prática do sexo por dinheiro. Assim,  muitas mulheres procuram o caminho mais fácil, para o sustento, e outras  ainda esperam encontrar ali a felicidade, no entanto, é como diz Divaldo Pereira Franco: “A felicidade é o estado interior que nós logramos pela consciência tranquila, pelo caráter reto e pelo trabalho digno.”   

Lido 3275 vezes Última modificação em Terça, 14 Março 2017 19:36
Dra Dolane Patricia

*Advogada, juíza arbitral, Personalidade da Amazônia e

Personalidade Brasileira. Pós-Graduada em Direito Processual Civil, Pós

Graduanda em Direito de Família, Mestranda em Desenvolvimento Regional da

Amazônia.

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